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A maneira correta de diminuir seu Ego

1 de jan. de 2023
6 min de leitura

Quando falamos de Ego (Lit. seu eu), estamos falando do conjunto de pensamentos, definições e parâmetros que definem a nossa essência. Pessoas que possuem um ego muito grande, estão extremamente ligadas a si mesmas, são extremamente possessivas, irredutíveis, orgulhosas, insubmissas a qualquer tipo de autoridade.






Sabemos identificar almas com grandes egos pela forma que são possessivas e irredutíveis em suas crenças ou com o apego incondicional as coisas e objetos que possui, quanto maior o ego, mais apegado a pessoa é a este mundo e a tudo aquilo que ela considera como seu.


Almas com grandes egos, costumam sempre inferiorizar o próximo que é divergente, separa-lo de si e torná-lo abominável

Entretanto, surge um grande desafio que levanta uma grande reflexão, quando olhamos para algumas almas elevadíssimas, ou seja, almas leves, que possuem pequenos egos, podemos ter a impressão errada sobre algumas ações, que a princípio nos parecem partir de alguém violento, possessivo e cheio de si mesmo, apesar de não serem.


Veja por você mesmo.


Yeshua o messias de Israel, por ser o messias, por lógica é a alma com menos ego entre todas as almas que já pisaram na terra, entretanto algumas de suas atitudes podem criar uma falsa impressão. É de conhecimento de todos que está relatado nos textos da Brit Hadashá, que Yeshua usou um chicote para expulsar todos os mercadores do templo, entre eles estavam mulheres, velhos e crianças, entretanto isso não impediu que ele usa-se de puro rigor contra essas almas e até chega-se a virar as mesas onde o povo vendia coisas.


Yeshua também criticou severamente as lideranças em seu tempo, comparando todos eles com víboras, ladrões entre outros adjetivos.


Moshe, a quem o próprio D'us disse ser o "homem mais humilde da terra", também usou de violência contra o povo, o mais popular desses atos foi quando ele deu ordem aos levitas que matassem a todos que estavam envolvidos com a idolatria, não importava se fossem seus pais ou irmãos, naquele dia, três mil Israelitas foram assassinados.


Esses atos parecem partir de almas cheias de si mesmo e possessivas, como podemos harmonizar isso e por coincidência aprender com eles?



Uma história a mais


Para entender o conceito que é extremamente profundo, como os sábios da Torá, preciso primeiro passar uma história.


Eu estava no meu trabalho em um dia qualquer realizando um serviço especifico onde, eu e a minha parceira de trabalho deveríamos construir uma apresentação em power point para empresa. Nós mapeamos a sequencia necessária para a apresentação comercial ficar minimamente aceitável e mostramos a estrutura para o nosso chefe.


Depois da avaliação dele, em um outro momento, ao olhar o resultado que ela havia feito, eu pedi que ela adiciona-se a apresentação um quadro sobre um assunto que senti falta, era sobre o portifólio. Quando pedi isso, ela me respondeu de pronto:


"Mas o nosso chefe disse que não queria que isso fosse colocado"


Naquele momento, mesmo que eu fosse superior a ela, eu disse:


"Tudo bem, se ele deseja dessa forma, então não vamos adicionar"


Foi algo normal, do cotidiano de qualquer empresa, entretanto que me fez ter admiração muito grande por esta pessoa, por esta alma. O que fica disso é, que mesmo que ela esteja hierarquicamente abaixo de mim, ela estava alinhada aos desejos do nosso chefe, estava executando aquilo que ele deseja ou seja, não era o Ego dela impondo algum desejo dela sobre mim, mas era a obediência dela aos desejos do nosso chefe, superior a nós dois, que ela estava impondo sobre mim. Com isso, podemos entender que a força das almas estão em fazer a vontade do seu Criador, ou seja, de executar aquilo que Ele, bendito seja Ele, decretou que fosse feito, que fosse definido, assim como eu não tive como resisti-la, pois apesar de não estar falando com meu chefe, estava falando com o Ego dele.


É extremamente difícil entender este conceito, vamos mais a fundo?


Um exemplo a mais


Nós sabemos que o nosso objetivo final, é diminuir os nossos egos cada vez mais e mais, com isso, nos tornamos cada vez menos desesperados, menos possessivos, menos apegados e mais leves. Entretanto, quando o ego diminui dentro da alma, um vácuo é criado.


Quando diminuímos o nosso EU, não necessariamente estamos nos completando do Divino.


O Exemplo abaixo pode nos ensinar sobre este conceito, ele demonstra o status de uma alma durante os anos de sua existência neste mundo.


Alma nome xpto ao nascer:

Quantidade de Ego: 89%

Quantidade de Presença Divina: 9%

Espaço vazio: 2%


Esta alma acima, passa por diversas situações onde aprende muitas coisas aqui, este é o resultado depois de 26 anos de aprendizado.


Alma nome xpto 26 anos depois:

Quantidade de Ego: 80%

Quantidade de Presença Divina: 9%

Espaço vazio: 11%


No exemplo acima, apesar de ter seu ego diminuído por causa das vivências, ela não adquiriu para si o ego do Criador.

O que isso representa? Isso quer dizer que esta pessoa se tornou alguém muito mais humilde, muito mais fácil de conviver, que não impõe a sua vontade aos outros, porém, não aprendeu sobre o Divino, o que a torna muito vulnerável a outras pessoas.


Normalmente pessoas que se encontram nesse estado são extremamente voláteis e não conseguem se impor, não tem opinião própria, são manipuláveis e extremamente influenciáveis. Acabam aceitando qualquer coisa.


Por este motivo, nosso objetivo, não é apenas diminuir o nosso Ego, mas também adquirir ao mesmo tempo, o Ego do Divino.

O Ego do Divino, que é a presença Dele, bendito seja Ele, esta completa de definições, regras do que é bom e do que é ruim, e somente através Dele, podemos ser fortes o bastante para resistir ao mau e ao mesmo tempo, sermos humildes verdadeiramente.


Voltando ao início


Quando temos estas percepções, podemos então olhar para Moshe, um homem extremamente humilde, mas que embora tendo pouco Ego, foi capaz de quebrar com suas próprias mãos a idolatria que Israel havia feito. Pois quando esta alma estava fazendo isso, ela não estava fazendo por si mesma, estava fazendo e impondo a vontade do Divino neste mundo.


Quando o messias expulsou as pessoas com o chicote do templo, ele não estava fazendo isso por si mesmo, mas estava impondo a vontade do Divino, naquele momento, não era Yeshua e seu Ego, mas era D'us e a sua presença Divina impondo a suas leis que antes foram estabelecidas.


Quando lembramos de Pinchas, o sacerdote do altíssimo que entrou sozinho na tenda e matou os dois idólatras, podemos enxergar que, apesar de pequeno, não era Pinchas que estava fazendo isso em nome do Ego dele, não estava sendo possessivo, ao contrário, o zelo do Criador, ou seja, o Ego Divino estava sobre ele, ele executou a vontade Divina sobre aqueles que estavam destruindo o Mishkan com atitudes idólatras.


Por estes motivos, devemos sim lutar para diminuirmos o nosso ego, dia após dia, nos tornando mansos e humildes perante todos, mas não podemos abrir mão de preenchermos aquele espaço vazio que foi formado, com o Ego Divino, e isso só pode ser feito através do exímio da torá, onde estão registradas todas as características Dele, bendito seja Ele.



O Niddah


Imagine a importância disso neste exemplo.


Podemos recorrer a um casal de Judeus qualquer, onde os dois se comprometeram a seguir a Torá. No nosso casal exemplo, a esposa tem um ego pequeno, ela agrada seu marido e o serve constantemente, do outro lado, o marido tem um ego um pouco maior, ele também a agrada e a serve constantemente.


Ao chegar o período de separação menstrual, depois de alguns dias, o marido não consegue resistir ao desejo de ter relações sexuais e tenta convencer sua esposa, apesar de saber os mandamentos, com atitudes sensuais.


Neste caso, se a esposa apenas possuir um ego menor, fatalmente vai ceder as vontades do seu marido, pois não vai conseguir se impor.


Entretanto, se a esposa ao longo dos anos, aderiu a si mesma o ego do Divino, ela vai ter forças o suficiente para dizer não, e por se apegar a vontade Divina, resistirá a investida pecaminosa de seu marido, ato que vai concertá-lo a força com o tempo.



Grandes conclusões


Com todas estas conclusões, podemos entender por que algumas das grandes almas que passaram neste mundo, conseguiram ser mansas como uma pomba e ao mesmo tempo, fortes como escorpião. Almas humildes, com pouco ego, mas cheias do Divino, o que lhes dava uma força irredutível ao ponto de destruírem exércitos, realizarem milagres, resistir ao mau e impor ao mundo a vontade Divina.


Essa força provém do estrito estudo da Torá e relacionamento verdadeiro com o Criador, somente assim podemos saber se o que estamos fazendo, provém Dele ou não, se é o nosso ego ou o Dele, bendito seja Ele.

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